ABOLIÇÃO

Presidência da RepúblicaCasa CivilSubchefia para Assuntos Jurídicos LEI Nº 3.353, DE 13 DE MAIO DE 1888. Declara extinta a escravidão no Brasil. A Princesa Imperial Regente, em nome de Sua Majestade o Imperador, o Senhor D. Pedro II, faz saber a todos os súditos do Império que a Assembléia Geral decretou e ela sancionou a lei seguinte: Art. 1°: É declarada extincta desde a data desta lei a escravidão no Brazil. Art. 2°: Revogam-se as disposições em contrário. Manda, portanto, a todas as autoridades, a quem o conhecimento e execução da referida Lei pertencer, que a cumpram, e façam cumprir e guardar tão inteiramente como nella se contém. O secretário de Estado dos Negócios da Agricultura, Comercio e Obras Publicas e interino dos Negócios Estrangeiros, Bacharel Rodrigo Augusto da Silva, do Conselho de sua Majestade o Imperador, o faça imprimir, publicar e correr. Dada no Palácio do Rio de Janeiro, em 13 de maio de 1888, 67º da Independência e do Império. Princeza Imperial Regente.Rodrigo Augusto da Silva Carta de lei, pela qual Vossa Alteza Imperial manda executar o Decreto da Assembléia Geral, que houve por bem sanccionar, declarando extincta a escravidão no Brazil, como nella se declara. Para Vossa Alteza Imperial ver. Chancellaria- mór do Império.- Antonio Ferreira Vianna. Transitou em 13 de Maio de 1888.- José Júlio de Albuquerque ____________ _________ _________ _________ _______ FONTE: BRASIL. Leis, etc. Collecção das leis do Imperio do Brazil de 1810. Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, 1891. v. I, p.228.

REPASSANDO...

RECEBI UM TEXTO, CUJO TÍTULO É:
CONVERSANDO SOBRE UMBANDA.
(FERNANDO SEPE)
E REPASSO PARA VOCÊS.
Umbanda é prática da caridade. Mas caridade não é colocar as pes­soas no colo e resolver os problemas delas. Caridade não é apenas consolar, mas também esclarecer.
Um­ban­da coloca inú­meras fer­ra­mentas energéticas, magís­ticas, espi­rituais e conscienciais a vossa dispo­sição. Repassem essas ferramen­tas. Fa­çam com que não apenas os mé­diuns e integrantes da corrente conhe­çam as “mirongas de umbanda”, mas as ensine, de forma simples e prática, para que a assistência também se bene­ficie, que­bran­do a dependência dela em relação aos guias. Umbanda é escla­recer...
Esclarecer também em relação ao mundo espiritual, as leis cármicas, de afinidades, etc. Esclarecer a res­peito dos Orixás, da família espiritual de cada um. Tantos são os assuntos que pode­riam ser ventilados dentro dos terreiros para melhor desen­volvimento das pes­soas. Mas os um­bandistas estão mais preo­cupados com os fenômenos, com a mani­festação, esquecendo de se voltar para a filosofia espiritualista que es­tá no âmago e na sustentação da reli­gião de Umbanda.
Lembre-se: Tem coisa que ne­nhum passe, nenhuma magia, ne­nhum banho ou defumação irá re­solver. Mas talvez uma boa con­versa, um bom livro ou apenas uma nova visão em relação à vida possa mudar. Umbanda está cheia de mila­gres e encantos. Mas esses mi­lagres e encantos são simples, acon­tecem a todo momento. Uma pena que a maioria dos homens e mulheres não têm olhos para ver...
Aconteceu na Antiga África:
Uma vez um grande sacerdote ten­tou realizar uma cerimônia para ressu­citar seu filho, um grande guerreiro mor­to em guerra. Toda tribo se reuniu para ver tamanho feitiço. No meio da cerimônia o corpo do guerreiro, sacu­diu, tremeu, estrebuchou, rolou e final­men­te se levantou. Os olhos eram vi­dra­dos, mortos. A tribo estava quieta de tanta tensão. Finalmente o corpo no­va­mente caiu morto no chão. A tribo ficou encantada. Aquele ho­mem era milagroso, capaz de ressucitar um homem, mesmo que por poucos segundos. Incrível... Em um canto da tribo, pergun­taram ao velho Meji o que ele achava de tudo aquilo:
- Ora, como alguém pode ressu­citar aquilo que nunca morreu? O mila­gre já está aí, acontecendo a todo mo­mento. O espírito livre, a realidade imor­tal dele no coração do Orixá. O maior mi­la­gre é a própria Vida. Mas vocês se per­dem naquilo que os olhos podem ver... E assim é até hoje. A maioria bus­ca por milagres, transitórios, opacos, sem vida, que nada acrescentam. Os terrei­ros de Umbanda estão cheios desses anti­gos sacerdotes vende­do­res de mila­gres, assim como de olhos obcecados por eles. Mas em todos os cantos, a pa­lavra sábia do preto-velho ainda ecoa tentando despertar alguma coisa no coração espiritual das pessoas. Onde está o milagre? No mani­festo, ou no imanifesto? No transitó­rio, ou no imortal? No finito, ou no absoluto? Na vi­são, audição, tato, paladar, olfato ou no coração?
Pense bem...
Trabalhe dentro da Lei de Um­banda, mas não faça desse trabalho um fim. Cresça, melhore, desenvol­va-se como consciência. Médium ou não, você está cheio de potenciali­dades, capaci­dades, dons. Não de­penda em tudo dos guias espirituais. Não faça dos Orixás e de seu culto, um mercado de troca de favores e vantagens. A maior riqueza que os Orixás podem doar a vocês não é acessada através de uma oferenda. Mas é sim, encontrada, no coração limpo, no terreiro simples e aconchegante que existe aí dentro, na sala de iniciação amorosa que ele É. Limpe os pés, sujos pela lama do ego, antes de entrar. Limpe as mãos, sujas pela treva da ignorância, antes de tocar e abrir o pórtico de acesso. E principalmente, vá de intenção nobre a altruísta. Vá de alma e espírito brilhando. A verdadeira iniciação dos Orixás acontece aí dentro. A todo momento. É como um milagre. Escute, ouça, sinta... Seja Um com Ele! Nisso reside todo mistério.
O que é Umbanda?
Umbanda é como aquela pérola bonita.
Não pode ser vista, pois seu brilho é capaz de cegar.
É como aquela poesia que nunca será escrita.
As palavras são pobres para descrevê-la.
É como a canção silenciosa cantada pelas estrelas.
Só o coração pode escutar.
É como a simplicidade do preto-velho. Tão natural.
É como a alegria da criança. Tão ingênua.
É como o sorriso do Exu. Tão enigmático.
Umbanda é uma imensidão de povos e culturas.
É uma imensidão de rostos.
Uma imensidão... É o Todo.
É a banda que trabalha pelo UM.
É singela assim...
Quando a individualidade desaparece
A Luz de Oxalá inunda seu ser.
Você é a Luz, A Luz é você!
Quando o amor surge como uma flor,
Os lírios de Mamãe Oxum brotam em seu coração.
Você é a Flor, A Flor é Você!
Quando a ignorância é eliminada,
As Flechas do Caçador te guiam.
O Caçador é você. A Caça também!
Quando a alma vence sua própria treva
O Raio de Xangô é vivo no espírito.
Você é o Rei, o Rei é Você!
Quando o tufão do discernimento surgir.
Não mais a sombra da alma há de te possuir.
Você é a Guerreira, a Guerreira é você
Quando as cabeças do vício forem cortadas
A Espada do guerreiro iluminará o caminho!
Você é a Senda, A Senda é Você.
Quando a cruz viva do “Velho” te marcar
O peso do mundo em suas costas cairá.
Você é Caridade, A Caridade é você!
Quando a Anciã do destino, em ti existir
Não mais mistérios hão de te possuir.
Você é o Fim e também o Começo!
Quando a estrela brilhar,
e o canto encantar Nas praias de Aruanda
a Mãe Divina você verá.
Você é a Umbanda, Umbanda é Você!
E então, no fim da jornada,
Onde os caminhos se entrecruzam,
E as Sete Encruzilhadas são contem­pladas,
O Amor que a Tudo gera lá estará!
Você é Olorum, Olorum é Você!
Assim cantava-se na velha Luanda...
Assim ainda se canta, Na querida Aruanda...
DEFINIÇÕES:

" O nome de Umbanda, que foi dado a um vigoroso movimento de luz, ordenado pelo Astral Superior, através dos Caboclos e Pretos Velhos, é termo litúrgico, sagrado, vibrado, que significa num sentido mais profundo, o conjunto das leis de Deus." W.W. da Matta e Silva

"Não cobrar, não matar, usar o branco, evangelizar e utilizar as forças da natureza - eis a Umbanda". Moab Caldas
" Os conceitos emitidos através da mediunidade de Zélio de Moraes determinaram uma linha de trabalho que será, mais hoje, mais amanhã, aquela que definirá os rumos verdadeiros da Umbanda". Floriano Manoel da Fonseca
" A doutrina da Umbanda é um sistema religioso inspirado nas leis divinas. Sua interpretação é feita pelos Guias Espirituais que a transmitem por via das comunicações mediúnicas. A lógica, a justiça e a razão são as bases dos conceitos emitidos pelas Entidades em torno de tudo o que nos rodeia na vida terrena. A doutrina umbandista é uma via de reformação humana, de espiritualização autêntica para transformar em realidade o almejado sonho de fraternidade entre os homens. Não é falsa asserção, pois é notório o resultado obtido com a doutrina ininterruptamente feita pelos espíritos missionários que se apresentam como Pretos Velhos ou Caboclos". João de Freitas
" Se a nossa missão é Umbanda, nosso dever primordial é cultuá-la com absoluta convicção, respeitando seus princípios, estudando seus fundamentos a fim de compreender os seus fins. Respeitemos as outras crenças, mas deixemo-las a cargo daqueles que a praticam. Não é certo misturar crenças e rituais. Estudemos a Umbanda, pura, simples e bela, para que possamos praticá-la conscientemente, elevando-a ao nível que merece. Umbanda é religião e ciência admirável, que apaixona quem a ela se dedica". Atila Nunes
" A Umbanda, esteira de luz a iluminar os filhos de Deus nos caminhos da trevas, chama a si todas as doutrinas evolucionistas que proclamam o Amor Universal, a imortalidade da alma e a vida futura, consagrando-se como verdadeira religião de caráter nacional". J. Alves de Oliveira

AS APARÊNCIAS ENGANAM...

MAIS UMA VEZ FALANDO DO BAOBÁ
O Baobá, é uma árvore forte, robusta, que floresce apenas uma vez durante o ano, suas flores ficam de cabeça para baixo durante alguns dias antes de secarem e caírem no chão. Parece que a espera do Baobá em florescer, seja uma coisa tão romântica como suas próprias flores. Dar uma flor de baobá à pessoa amada pode simbolizar que ela é única e que demorou muito para encontrá-la... Isso, se a flor do Baobá não tivesse um forte odor de carniça.
Isso serve para provar que as aparências enganam... As pessoas que se deixam levar pela beleza da flor do Baobá, podem ter uma surpresa ao sentir seu aroma não muito agradável; da mesma forma como as pessoas que com tanto preconceito com o cheiro da flor, se inibem em conhecê-la, e contemplar sua beleza. Ou seja, todo mundo, e qualquer coisa nesse mundo tem seu lado bom e seu lado ruim; todos nós temos nosso lado flor de Baobá... O Baobá em si, é uma árvore muito conhecida, mas ao mesmo tempo muito enigmática. Várias pessoas não conhecem ainda um Baobá, e para cada uma delas, essa árvore exuberante e cheia de mistérios, pode ter um significado diferente.
Conta a lenda, que o Baobá era uma árvore muito invejosa, tinha inveja das árvores mais bonitas, mais floridas... Tinha inveja dos ipês, com suas flores de variadas cores, tinha inveja da roseira, da sua simplicidade, tinha inveja de todas as outras árvores. Cansados de tanta inveja, os deuses, deram um castigo á árvore, virando-a de cabeça para baixo, portanto, a copa, que vemos, seria na verdade suas raízes. E suas flores que cheiram tão mal, seriam portanto, resíduos do solo, que ficam agarrados em suas raízes...
FONTE:http://www.ideiasviajantes.uniblog.com.br/
OS BAOBÁS ME ENCANTAM...
AS SETE LÁGRIMAS... DE PAI-PRETO
W.W. da Matta e Silva (Yapacani)
Foi uma noite estranha aquela noite queda; estranhas vibrações afins penetravam meu Ser Mental e o faziam ansiado por algo que pouco a pouco se fazia definir.
Era um quê desconhecido, mas sentia-o como se estivesse em comunhão com minha alma e externava a sensação de um silencioso pranto...
Num cantinho de um terreiro, sentado num banquinho, fumando seu cachimbo, um triste preto velho chorava. De seus “olhos” molhados, esquisitas lágrimas pelas faces e seis porque contei – as… Foram sete. Na incontida vontade de saber aproximei – me e o interroguei: fala meu preto velho, diz ao teu filho por que externas assim um tão visível dor? E ele suavemente respondeu: estás vendo esta multidão que entra e sai? As lagrimas contadas estão distribuída a cada uma delas.
A PRIMEIRA, eu dei a estes indiferentes que aqui vem à busca de distração, para saírem ironizando aquilo que suas mentes ofuscadas não podem conceber…
A SEGUNDA , a esses eternos duvidosos que acreditam , desacreditando, na expectativa de um milagre que os façam alcançar aquilo que seus próprios merecimentos negam. A TERCEIRA, distribui aos maus, aqueles que somente procuram a umbanda, em busca de vingança, desejando sempre prejudica a um seu semelhante.A QUARTA, aos frios e calculistas que sabem que existe uma força espiritual e procuram beneficiar – se dela de qualquer forma e não conhecem a palavra gratidão: A QUINTA, chega suave, tem o riso, o elogio da flor dos lábios, mas se olharem bem o seu semblante, verão escrito: creio no umbanda, nos teus caboclos e no teu zambi, mas somente se vencerem o meu caso, ou me curarem disso ou daquilo.
A SEXTA, eu dei aos fúteis que vão de centro em centro não acreditando em nada, buscam aconchegos e conchavos e seus olhos revelam um interesse diferente. A SETIMA, filho, nota como foi grande e como deslizou pesada? Foi a ultima, aquele que vive nos “olhos” de todos os orixás. Fiz doação dessas aos médiuns vaidosos que só aparecem no centro em dia de festa e faltam as doutrinas. Esquecem que existem tantos irmãos precisando de caridade e tantas criancinhas precisando de amparo materno e espiritual Assim, filho meu, foi para esses todos, que vistes cair, uma a uma. As seteLágrimas de um preto velho.

Assevero que ele exagera sobre os riscos que existem além-muro. Pela maturidade, ele a segura. Pela juventudPAI Be, ela se aventura.

Dizem que ele é preto velho e só resmunga, enquanto ela, pomba- gira, gira, gira... sobre o comboio que passa.

Passa e deixa rastro.

Enquanto a pomba gira, o preto velho resmunga riscos em linha reta. Traça o perigo que juventude alguma vê.

E ele fala e fala, aos ouvidos do vento. E o vento não para. É impulsionado pela força do querer.

Sei não! De repente vi que ele desistiu. Deixou-a ir, até porque não tinha mais como prendê-la.

Arriscou inclusive, pedir proteção aos céus antes de tirar os nós do travesseiro para que, finalmente, pudesse deitar sua cabeça branca e cansada de preto velho.

Acendeu velas, muitas velas, e cada uma delas teria que lidar com sua própria chama e fazer sua própria jornada.

Lá no fundo, distante disso tudo, a serra espreitava a minha silhueta e a do preto velho com aquele olhar de silêncio profundo, enquanto o mar gargalhava em espumas. (Heleida Nobrega Metello, 2007)

************************************************** QUEM É AQUELE VELHINHO
QUE VEM NO CAMINHO ANDANDO DEVAGAR
COM SEU CACHIMBO NA BOCA
PUXANDO A FUMAÇA E JOGANDO PRO AR ELE É DO CATIVEIRO
É PAI BENEDITO, ELE É MIRONGUEIRO

******

NA BAHIA TEM

VOU MANDAR

LAMPIÃO DE VIDRO, SÁ DONA

PARA CLAREAR.

*****

PRETO VELHO ELE VEM DE ARUANDA

ELE TRAZ FIGA DE GUINÉ, SETE VELAS,

TOALHA ENCARNADA PRA LOUVAR JESUS NAZARÉ

*****

EU CHORO MEU CATIVEIRO

MEU CATIVEIRO,

MEU CATVEIRÓ (BIS)

NOS TEMPOS DE ESCRAVIDÃO OH

PRETO VELHO NÃO TINHA VALOR

MANTINHA O QUE PENSAVA

E FAZIA MANDINGA PRA MILAR SENHÔ

E QUANDO CHEGVA ANOITINHA

PRETO VELHO PEGAVA O TAMBOR

SENTAVA NA SUA SENZALA

SARAVÁ OGUM

SARAVÁ PAI XANGÔ, CAÔ

*****

PRETO BVELHO TRABALHA SENTADO

SE FOR PRECISO TRABALHA EM PÉ

MANDINGA DE PRETO VELHO

É GALHO DE ARRUDA E FOLHA DE GUINÉ

***

REPAREM QUANTO RITMO... EM PORTUGAL???

HISTÓRIA DOS ORIXÁS.

No principio quando não havia separação entre o Céu e a Terra, Oxalá e Odudua viviam juntos dentro de uma cabaça. Extremamente apertados, um contra o outro. Odudua embaixo e Oxalá em cima. Eles tinham sete anéis. À noite eles colocavam seus anéis, e, aquele que dormia por cima sempre colocava quatro anéis, e o que ficava por baixo colocava os três restantes. Um dia Odudua, deusa da Terra, quis dormir por cima Para poder usar nos dedos quatro anéis. Oxalá, o Deus do Céu, não aceitou Tal foi à luta que travaram os dois lá dentro, que a cabaça acabou por se romper em duas metades, A parte inferior da cabaça, com Odudua , permaneceu embaixo, E a parte superior com Oxalá, ficou em cima, Separando-se assim o Céu e a terra.

OXALÁ CRIA A TERRA.

No começo, o mundo era todo pantanoso e cheio dágua, Um lugar inóspito, sem nenhuma serventia. Acima dele havia o Céu, onde viviam Olorum e todos os orixás. Que às vezes desciam para brincar nos pântanos insalubres. Desciam por teias de aranha pendurada no vazio. Ainda não havia terra firme, nem o homem existia. Um dia Olorum chamou à sua presença Oxalá, o grande orixá. Disse-lhe que queria criar terra firme lá embaixo E pediu-lhe que realizasse tal tarefa. Para missão, deu-lhe uma concha marinha com terra, uma pomba e uma galinha com pés de cinco dedos. Oxalá desceu ao pântano e depositou a terra da concha sobre a terra pôs a pomba e a foram assim espalhando a terra que viera na concha. Até que terra firme se formou por toda parte. Oxalá voltou a Olorum e relatou-se o sucedido. Olorum enviou um camaleão para inspecionar a obra de Oxalá. E ele não pôde andar sobre o solo que ainda não era firme. O camaleão voltou dizendo que a terra era ampla, Mas ainda não suficientemente seca. Numa segunda viagem o camaleão trouxe a notícia de que a terra era ampla e suficientemente sólida, podendo-se agora viver em sua superfície. O lugar mais tarde foi chamado de Ifé, que dizer ampla morada. Depois Olorum mandou Oxalá de volta à terra ara plantar árvores e dar alimentos e riquezas ao homem E veio a chuva para regar as árvores. Foi assim que tudo começou. Foi ali, em Ifé, durante uma semana que quatro dias Que Oxalá criou o mundo e tudo que existe nele. Nanã fornece a lama para modelagem do homem Dizem que quando Olorum encarregou Oxalá de fazer o mundo e modelar o ser humano,o orixá tentou vários caminhos. Tentou fazer o homem de ar, como ele. Não deu certo, pois o homem logo se desvaneceu. Tentou fazer de pau, mas a criatura ficou dura. De pedra ainda a tentativa foi pior. Fez de fogo e o homem se consumiu. Tentou azeite, água e até vinho –de–palma, e nada. Foi então que Nana Burucu veio em seu socorro. Apontou para o fundo do lago com seu Ibiri seu cetro e arma, e de lá retirou uma porção de lama. Nana deu a porção de lama a Oxalá, o barro do fundo da lagoa onde morava ela, A lama sob as águas, que é Nanã Oxalá criou o homem, o modelou no barro. Com o sopro de Olorum ele caminhou. Com a ajuda dos orixás povoou a terra. Mas tem um dia que o homem morre E seu corpo tem que retornar a terra, voltar a natureza de Nanã Burucu. Nana deu a matéria no começo Mas quer de volta no final tudo que é seu. Oxum faz as mulheres estéreis em represália aos homens Logo que o mundo foi criado, todos os orixás vieram para a terra, e começaram a tomar decisões e dividir encargos entre eles, Em conciliábulos nos quais somente os homens podiam participar. Oxum não se conformava com essa situação. Ressentida pela exclusão, ela vingou-se dos orixás masculinos. Condenou todas as mulheres à esterilidade, De sorte que qualquer iniciativa masculina No sentido da fertilidade era fadada ao fracasso. Por isso, os homens foram consultar Olorum. Estavam muito alarmados e não sabiam o que fazer Sem filhos pára criar nem herdeiros para quem deixar suas posses, sem novos braços para criar novas riquezas e fazer as guerras e sem descendentes para não deixar morrer suas memórias. Olorum soube, então, que Oxum fora excluída das reuniões. Ele aconselhou os orixás a convidá-la, e ás outras mulheres, Pois sem Oxum e seu poder sobre a fecundidade nada poderia ir adiante... Iemanjá afoga seus amantes no mar. Iemanjá é dona de rara beleza E, como tal, mulher caprichosa e de apetites extravagantes. Certa vez saiu de sua morada nas profundezas do mar E veio à terra em busca do prazer da carne. Encontrou um pescador jovem e bonito E o levou para seu líquido leito de amor. Seus corpos conheceram todas as delícias do encontro, Mas o pescador era apenas um humano E morreu afogado nos braços da amante. Quando amanheceu, Iemanjá devolveu o corpo à praia. E assim acontece sempre, toda noite, Quando Iemanjá Conlá se encanta com os pescadores Que saem em seus barcos e jangadas para trabalhar. Ela leva o escolhido para o fundo do mar e se deixa possuir E depois o traz de novo, sem vida, para areia. As noivas e as esposas correm cedo para praia Esperando pela volta de seus homens que foram para o mar, Implorando a Iemanjá que os deixe voltar vivos. Flores, espelhos e perfumes, Para que Iemanjá mande sempre muitos peixes e deixe viver os pescadores. Iemanjá Ataramagbá . Iemanjá era filha de Olokum, a deusa do mar. Em Ifé, ela tornou-se a esposa de Olofin-Odudua, Com qual teve dez filhos. Estas crianças receberam nomes simbólicos e todos tornaram-se orixás Um deles foi chamado Oxumaré, o arco-íris, “aquele-que-se-desloca-com-a-chuva-e-revela-seus-segredos”. De tanto amamentar seus filhos, os seios de Iemanjá tornaram-se imensos. Cansada da sua estadia em Ifé, Iemanjá fugiu na direção do entardecer-da-terra, Como os iorubas designam o oeste, chegando a Abeokutá. Ao norte de Abeukutá, vivia Okere, rei de Xaki Iemanjá continuava muito bonita . Okerê desejou-a e propôs –lhe casamento. Iemanjá aceitou mas, impondo uma condição, disse-lhe: “jamais você ridicularizará da imensidão dos meus seios”. Okerê , gentil e polido, tratara Iemanjá com consideração e respeito. Mas, um dia, ele bebeu vinho de palma em excesso. Voltou pra casa bêbado e titubeante. Ele não sabia mais o que fazia. Ele não sabia mais o que dizia. Tropeçando em Iemanjá, esta chamou-o de bêbado e imprestável. Okerê vexado, gritou: “Você com seus seios grandes e trêmulos! Iemanjá, ofendida, fugiu em disparada. Certa vez, antes do seu primeiro casamento, Iemanjá recebera de sua mãe Olokum, Uma garrafa contendo uma poção mágica pois, dissera-lhe esta: Em caso de necessidade , quebre a garrafa , jogando-a no chão. Em sua fuga, Iemanjá tropeçou e caiu. A garrafa quebrou-se e dela nasceu um rio As águas tumultuadas deste rio levaram Iemanjá em direção ao oceano, Residência de sua mãe Olokum Okerê, contrariado, queria impedir a fuga de sua mulher Querendo barrar-lhe o caminho, ele transformou-se numa colina, Chamada ainda hoje Okerê, e colocou-se no seu caminho. Iemanjá quis passar pela direita, Okerê deslocou-se para direita Iemanjá quis passar pela esquerda, Okerê deslocou-se para esquerda. Iemanjá, vendo assim bloqueado seu caminho para a casa materna, Chamou Xangô, o mais poderoso dos seus filhos. Kawo kabiyesi Sango, Kawo kabiyesi Obá Kossô! “saudemos o Rei Xangô, saudemos o rei de Kossô! Xangô veio com dignidade e seguro do seu poder. Ele pediu uma oferenda de um carneiro e quatro galos, Um prato de “amalá”, preparado com farinha de inhame, E um prato de “gbeguiri” feito com feijão e cebola. E declarou que no dia seguinte, Iemanjá encontraria por onde passar Nesse dia, Xangô desfez todos os nós que prendiam as amarras da chuva. Começaram a aparecer nuvens dos lados da manhã e da tarde do dia. Começaram a aparecer nuvens da direita e da esquerda do dia. Quando todas elas estavam reunidas, chegou Xangô com seu raio. Ouviu-se então: kakara rá rá ra´... Ele havia lançado seus raios sobre a colina de Okerê. Ela abriu-se em duas e... suichchch.. Iemanjá foi-se para o mar de sua mãe Olokum. Aí ficou e recusa-se, desde então a voltar em terra seus filhos chama-se e saúdam-na: “Odo Iya, a Mãe do rio, ela não volta mais. Iemanjá, a rainha das águas, que usa roupas coberta de pérolas. Ela tem filhos no mundo inteiro. Iemanjá está em todo lugar aonde o mar vem bater-se com suas ondas espumantes. Seus filhos fazem oferendas para acalma-la. Odô Iyá, Yemanjá , Ataramagbá Ajejê lodo! Ajejê nilê! “Mãe das águas, Iemanjá, que estendeu-se ao longe na amplidão. Paz nas águas! Paz na casa! Xangô e suas esposas transformam-se em orixás Xangô era um rei muito poderoso. Vivia com suas esposas Iansã, Oxum e Obá Sempre preocupado em fazer a guerra, Estava à procura de uma nova magia para derrotar os inimigos. Um dia, pensando ter descoberto finalmente Uma fórmula muito poderosa, Xangô subiu numa colina e lançou seu experimento. Era o raio, que maravilha, que poder! Mas foi muito grande sua decepção. Com rumor terrível, a invenção precipitou-se sobre seu palácio e o destruiu. Incendiando também a cidade e matando grande parte de seus súditos. Desesperado, Xangô fugiu para terra dos vizinhos tapas, seguido por Iansã. Refugiou-se depois na cidade de Cossô. Mas a dor não o deixava em paz. Não suportando maia tristeza que sentia pelo ato impensado, Xangô bateu fortemente os pés no chão, desaparecendo terra adentro.Foi para o Orum. Iansã o acompanhou e fez o mesmo na cidade de Irá, sendo seguida por Oxum e Obá Xangô vence Ogum na Pedreira Xangô e Ogum sempre lutaram entre si, Ora disputando o amor da mãe, Iemanjá, Ora disputando o amor da amada, Oxum, Ora disputando o amor da companheira, Iansã. Lutaram no começo do mundo e ainda lutam agora. Ogum usa da sua força física e das armas que fabrica, Xangô usa da estratégia e da magia. Ambos são guerreiros temidos. Mas só uma vez Xangô venceu Ogum na luta. Numa disputa que travaram por Iansã, Ora a batalha pendia para um lado, Ora pendia para o outro. Ninguém conseguia prever o final, Ninguém podia apostar quem seria o vencedor. Foi então que Xangô apelou para a astúcia, Como é do seu feitio numa hora dessa. Conduziu a batalha como quem se retirava E, sem que Ogum percebesse, Xangô o atraiu para a pedreira. Foi então que Xangô apelou para a magia. Quando Ogum estava bem no pé da montanha de pedra, Xangô lançou seu machado Oxé de fazer raio E um grande estrondo se ouviu. Com o trovão veio abaixo uma avalanche de pedras E as pedras soterraram o desprevenido Ogum. Xangô vencera Ogum na pedreira, Que desde então foi considerada, elemento de Xangô. Xangô venceu Ogum naquele dia, Única vez que alguém venceu Ogum. Mas esses dois filhos de Iemanjá seguem lutando ainda, Ora disputando o amor da mãe, Iemanjá, Ora disputando o amor da amada, Oxum, Ora disputando o amor da companheira, Iansã. Xangô mata o monstro e lança chamas pela boca Certa vez, em Tácua, apareceu um animal feroz, Que estava devorando os homens e as mulheres do lugar. Devorava velhos, adultos e crianças. O pavor se espalhou E a noticia chegou aos ouvidos de Xangô. Xangô foi de Mina a Tácua para matar o animal. O animal era um ser monstruoso, terrível criatura, Que ninguém conseguia vencer. Quando viram Xangô chegar, lhe perguntaram: “Para que vieste? Para perder a vida?”. Ao que Xangô respondeu: “Eu vim para acabar com este monstro” O ser monstruoso rugia e toda a terra tremia. Ele devorava homens e mulheres. Xangô não quis soldados para vencer o animal. Só, e no corpo-a-corpo, Xangô lutou e matou o monstro. Xangô vitorioso estava feliz. Xangô cantava e dançava de contentamento. Xangô, Iansã, Ogum Iemanjá, oxum e Oxossi já haviam retornado para o orum. Tudo fazia parte do plano do supremo. Os homens e as mulheres então, passaram a dar muito mais valor às orientações dadas pelos seus próprios ancestrais, que eram feitas de forma direta e incisiva, o que representava uma segurança maior em relação, àquelas recebidas tanto no culto de Ifá , quanto dos Orixás , que dependiam da interpretação das mensagens transmitidas por meio dos búzios , opelê ou ikins, o que ensejava a possibilidade de erro ou manipulação por parte dos advinhos. O plano de Olorum estava sendo cumprido exatamente como havia sido elaborado. A terra era dos homens e das mulheres e deveria ser governada por eles. Os orixás haviam cumprido seus papeis com perfeição. Restava-lhes agora, retornar á sua origem o Orun, de onde deviam continuar a exercer controle sobre todos os elementos que lhes haviam sido confiados por Odudua. A raça humana, a essa altura, já se havia espalhado por toda a face da terra. Na medida em que se estabeleciam em diferentes territórios, adquiriam características diferentes pela influência do clima e dos novos hábitos alimentares e, depois de alguns milhares de anos, os homens que, na sua origem, possuíam todos a pele negra, foram mudando de cor. Aqueles que se estabeleceram em regiões demasiadamente frias, embranqueceram, seus olhos tornaram-se esverdeados ou azulados, seus cabelos ficaram lisos e adquiriram uma tonalidade amarelada. Outros, que se estabeleceram no Oriente, perdendo a cor original ficaram amarelos, seus olhos ficaram espremidos pelas próprias pálpebras, e seus cabelos, apesar de continuarem negros, ficaram lisos. Outros mais que, desafiando as águas do Oceano, atingiram as terras que ficavam além do reino de Olokum, passaram a prestar culto ao Deus - Sol, por isto suas pelos ficaram avermelhadas como casca do romã. Formaram agora quatro raças distintas; A negra, a branca, a amarela e a vermelha, e cada uma se achava superior as outras. Era costume, na época as incursões a territórios vizinhos com a intenção única de capturar escravos. Este costume, desenvolvido tanto pelos fons, quanto pelos nagôs, viria, muito mais tarde, a ser pago de uma forma muito trágica. Alguns grupos que embranqueceram molestaram grandes grupos de negros e demonizaram suas crenças nos Orixás. Tribos e mais tribos foram escravizas e levadas para países distantes. Longe de suas terras, de sua gente, de sua identidade de sua a dignidade. Muitos foram mortos por suas crenças e forma de ver o mundo; Outros para sobreviveram em muitos lugares, para cultuar seus orixás, tiveram que fingir que cultuavam deuses e santos de outras religiões. Autoria: Desconhecida.

Fonte: www.ciadejovensgriots.org.br