HISTÓRIA DOS ORIXÁS. |
No principio quando não havia separação entre o Céu e a Terra, Oxalá e Odudua viviam juntos dentro de uma cabaça. Extremamente apertados, um contra o outro. Odudua embaixo e Oxalá em cima. Eles tinham sete anéis. À noite eles colocavam seus anéis, e, aquele que dormia por cima sempre colocava quatro anéis, e o que ficava por baixo colocava os três restantes. Um dia Odudua, deusa da Terra, quis dormir por cima Para poder usar nos dedos quatro anéis. Oxalá, o Deus do Céu, não aceitou Tal foi à luta que travaram os dois lá dentro, que a cabaça acabou por se romper em duas metades, A parte inferior da cabaça, com Odudua , permaneceu embaixo, E a parte superior com Oxalá, ficou em cima, Separando-se assim o Céu e a terra.
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No começo, o mundo era todo pantanoso e cheio dágua, Um lugar inóspito, sem nenhuma serventia. Acima dele havia o Céu, onde viviam Olorum e todos os orixás. Que às vezes desciam para brincar nos pântanos insalubres. Desciam por teias de aranha pendurada no vazio. Ainda não havia terra firme, nem o homem existia. Um dia Olorum chamou à sua presença Oxalá, o grande orixá. Disse-lhe que queria criar terra firme lá embaixo E pediu-lhe que realizasse tal tarefa. Para missão, deu-lhe uma concha marinha com terra, uma pomba e uma galinha com pés de cinco dedos. Oxalá desceu ao pântano e depositou a terra da concha sobre a terra pôs a pomba e a foram assim espalhando a terra que viera na concha. Até que terra firme se formou por toda parte. Oxalá voltou a Olorum e relatou-se o sucedido. Olorum enviou um camaleão para inspecionar a obra de Oxalá. E ele não pôde andar sobre o solo que ainda não era firme. O camaleão voltou dizendo que a terra era ampla, Mas ainda não suficientemente seca. Numa segunda viagem o camaleão trouxe a notícia de que a terra era ampla e suficientemente sólida, podendo-se agora viver em sua superfície. O lugar mais tarde foi chamado de Ifé, que dizer ampla morada. Depois Olorum mandou Oxalá de volta à terra ara plantar árvores e dar alimentos e riquezas ao homem E veio a chuva para regar as árvores. Foi assim que tudo começou. Foi ali, em Ifé, durante uma semana que quatro dias Que Oxalá criou o mundo e tudo que existe nele. Nanã fornece a lama para modelagem do homem Dizem que quando Olorum encarregou Oxalá de fazer o mundo e modelar o ser humano,o orixá tentou vários caminhos. Tentou fazer o homem de ar, como ele. Não deu certo, pois o homem logo se desvaneceu. Tentou fazer de pau, mas a criatura ficou dura. De pedra ainda a tentativa foi pior. Fez de fogo e o homem se consumiu. Tentou azeite, água e até vinho –de–palma, e nada. Foi então que Nana Burucu veio em seu socorro. Apontou para o fundo do lago com seu Ibiri seu cetro e arma, e de lá retirou uma porção de lama. Nana deu a porção de lama a Oxalá, o barro do fundo da lagoa onde morava ela, A lama sob as águas, que é Nanã Oxalá criou o homem, o modelou no barro. Com o sopro de Olorum ele caminhou. Com a ajuda dos orixás povoou a terra. Mas tem um dia que o homem morre E seu corpo tem que retornar a terra, voltar a natureza de Nanã Burucu. Nana deu a matéria no começo Mas quer de volta no final tudo que é seu. Oxum faz as mulheres estéreis em represália aos homens Logo que o mundo foi criado, todos os orixás vieram para a terra, e começaram a tomar decisões e dividir encargos entre eles, Em conciliábulos nos quais somente os homens podiam participar. Oxum não se conformava com essa situação. Ressentida pela exclusão, ela vingou-se dos orixás masculinos. Condenou todas as mulheres à esterilidade, De sorte que qualquer iniciativa masculina No sentido da fertilidade era fadada ao fracasso. Por isso, os homens foram consultar Olorum. Estavam muito alarmados e não sabiam o que fazer Sem filhos pára criar nem herdeiros para quem deixar suas posses, sem novos braços para criar novas riquezas e fazer as guerras e sem descendentes para não deixar morrer suas memórias. Olorum soube, então, que Oxum fora excluída das reuniões. Ele aconselhou os orixás a convidá-la, e ás outras mulheres, Pois sem Oxum e seu poder sobre a fecundidade nada poderia ir adiante... Iemanjá afoga seus amantes no mar. Iemanjá é dona de rara beleza E, como tal, mulher caprichosa e de apetites extravagantes. Certa vez saiu de sua morada nas profundezas do mar E veio à terra em busca do prazer da carne. Encontrou um pescador jovem e bonito E o levou para seu líquido leito de amor. Seus corpos conheceram todas as delícias do encontro, Mas o pescador era apenas um humano E morreu afogado nos braços da amante. Quando amanheceu, Iemanjá devolveu o corpo à praia. E assim acontece sempre, toda noite, Quando Iemanjá Conlá se encanta com os pescadores Que saem em seus barcos e jangadas para trabalhar. Ela leva o escolhido para o fundo do mar e se deixa possuir E depois o traz de novo, sem vida, para areia. As noivas e as esposas correm cedo para praia Esperando pela volta de seus homens que foram para o mar, Implorando a Iemanjá que os deixe voltar vivos. Flores, espelhos e perfumes, Para que Iemanjá mande sempre muitos peixes e deixe viver os pescadores. Iemanjá Ataramagbá . Iemanjá era filha de Olokum, a deusa do mar. Em Ifé, ela tornou-se a esposa de Olofin-Odudua, Com qual teve dez filhos. Estas crianças receberam nomes simbólicos e todos tornaram-se orixás Um deles foi chamado Oxumaré, o arco-íris, “aquele-que-se-desloca-com-a-chuva-e-revela-seus-segredos”. De tanto amamentar seus filhos, os seios de Iemanjá tornaram-se imensos. Cansada da sua estadia em Ifé, Iemanjá fugiu na direção do entardecer-da-terra, Como os iorubas designam o oeste, chegando a Abeokutá. Ao norte de Abeukutá, vivia Okere, rei de Xaki Iemanjá continuava muito bonita . Okerê desejou-a e propôs –lhe casamento. Iemanjá aceitou mas, impondo uma condição, disse-lhe: “jamais você ridicularizará da imensidão dos meus seios”. Okerê , gentil e polido, tratara Iemanjá com consideração e respeito. Mas, um dia, ele bebeu vinho de palma em excesso. Voltou pra casa bêbado e titubeante. Ele não sabia mais o que fazia. Ele não sabia mais o que dizia. Tropeçando em Iemanjá, esta chamou-o de bêbado e imprestável. Okerê vexado, gritou: “Você com seus seios grandes e trêmulos! Iemanjá, ofendida, fugiu em disparada. Certa vez, antes do seu primeiro casamento, Iemanjá recebera de sua mãe Olokum, Uma garrafa contendo uma poção mágica pois, dissera-lhe esta: Em caso de necessidade , quebre a garrafa , jogando-a no chão. Em sua fuga, Iemanjá tropeçou e caiu. A garrafa quebrou-se e dela nasceu um rio As águas tumultuadas deste rio levaram Iemanjá em direção ao oceano, Residência de sua mãe Olokum Okerê, contrariado, queria impedir a fuga de sua mulher Querendo barrar-lhe o caminho, ele transformou-se numa colina, Chamada ainda hoje Okerê, e colocou-se no seu caminho. Iemanjá quis passar pela direita, Okerê deslocou-se para direita Iemanjá quis passar pela esquerda, Okerê deslocou-se para esquerda. Iemanjá, vendo assim bloqueado seu caminho para a casa materna, Chamou Xangô, o mais poderoso dos seus filhos. Kawo kabiyesi Sango, Kawo kabiyesi Obá Kossô! “saudemos o Rei Xangô, saudemos o rei de Kossô! Xangô veio com dignidade e seguro do seu poder. Ele pediu uma oferenda de um carneiro e quatro galos, Um prato de “amalá”, preparado com farinha de inhame, E um prato de “gbeguiri” feito com feijão e cebola. E declarou que no dia seguinte, Iemanjá encontraria por onde passar Nesse dia, Xangô desfez todos os nós que prendiam as amarras da chuva. Começaram a aparecer nuvens dos lados da manhã e da tarde do dia. Começaram a aparecer nuvens da direita e da esquerda do dia. Quando todas elas estavam reunidas, chegou Xangô com seu raio. Ouviu-se então: kakara rá rá ra´... Ele havia lançado seus raios sobre a colina de Okerê. Ela abriu-se em duas e... suichchch.. Iemanjá foi-se para o mar de sua mãe Olokum. Aí ficou e recusa-se, desde então a voltar em terra seus filhos chama-se e saúdam-na: “Odo Iya, a Mãe do rio, ela não volta mais. Iemanjá, a rainha das águas, que usa roupas coberta de pérolas. Ela tem filhos no mundo inteiro. Iemanjá está em todo lugar aonde o mar vem bater-se com suas ondas espumantes. Seus filhos fazem oferendas para acalma-la. Odô Iyá, Yemanjá , Ataramagbá Ajejê lodo! Ajejê nilê! “Mãe das águas, Iemanjá, que estendeu-se ao longe na amplidão. Paz nas águas! Paz na casa! Xangô e suas esposas transformam-se em orixás Xangô era um rei muito poderoso. Vivia com suas esposas Iansã, Oxum e Obá Sempre preocupado em fazer a guerra, Estava à procura de uma nova magia para derrotar os inimigos. Um dia, pensando ter descoberto finalmente Uma fórmula muito poderosa, Xangô subiu numa colina e lançou seu experimento. Era o raio, que maravilha, que poder! Mas foi muito grande sua decepção. Com rumor terrível, a invenção precipitou-se sobre seu palácio e o destruiu. Incendiando também a cidade e matando grande parte de seus súditos. Desesperado, Xangô fugiu para terra dos vizinhos tapas, seguido por Iansã. Refugiou-se depois na cidade de Cossô. Mas a dor não o deixava em paz. Não suportando maia tristeza que sentia pelo ato impensado, Xangô bateu fortemente os pés no chão, desaparecendo terra adentro.Foi para o Orum. Iansã o acompanhou e fez o mesmo na cidade de Irá, sendo seguida por Oxum e Obá Xangô vence Ogum na Pedreira Xangô e Ogum sempre lutaram entre si, Ora disputando o amor da mãe, Iemanjá, Ora disputando o amor da amada, Oxum, Ora disputando o amor da companheira, Iansã. Lutaram no começo do mundo e ainda lutam agora. Ogum usa da sua força física e das armas que fabrica, Xangô usa da estratégia e da magia. Ambos são guerreiros temidos. Mas só uma vez Xangô venceu Ogum na luta. Numa disputa que travaram por Iansã, Ora a batalha pendia para um lado, Ora pendia para o outro. Ninguém conseguia prever o final, Ninguém podia apostar quem seria o vencedor. Foi então que Xangô apelou para a astúcia, Como é do seu feitio numa hora dessa. Conduziu a batalha como quem se retirava E, sem que Ogum percebesse, Xangô o atraiu para a pedreira. Foi então que Xangô apelou para a magia. Quando Ogum estava bem no pé da montanha de pedra, Xangô lançou seu machado Oxé de fazer raio E um grande estrondo se ouviu. Com o trovão veio abaixo uma avalanche de pedras E as pedras soterraram o desprevenido Ogum. Xangô vencera Ogum na pedreira, Que desde então foi considerada, elemento de Xangô. Xangô venceu Ogum naquele dia, Única vez que alguém venceu Ogum. Mas esses dois filhos de Iemanjá seguem lutando ainda, Ora disputando o amor da mãe, Iemanjá, Ora disputando o amor da amada, Oxum, Ora disputando o amor da companheira, Iansã. Xangô mata o monstro e lança chamas pela boca Certa vez, em Tácua, apareceu um animal feroz, Que estava devorando os homens e as mulheres do lugar. Devorava velhos, adultos e crianças. O pavor se espalhou E a noticia chegou aos ouvidos de Xangô. Xangô foi de Mina a Tácua para matar o animal. O animal era um ser monstruoso, terrível criatura, Que ninguém conseguia vencer. Quando viram Xangô chegar, lhe perguntaram: “Para que vieste? Para perder a vida?”. Ao que Xangô respondeu: “Eu vim para acabar com este monstro” O ser monstruoso rugia e toda a terra tremia. Ele devorava homens e mulheres. Xangô não quis soldados para vencer o animal. Só, e no corpo-a-corpo, Xangô lutou e matou o monstro. Xangô vitorioso estava feliz. Xangô cantava e dançava de contentamento. Xangô, Iansã, Ogum Iemanjá, oxum e Oxossi já haviam retornado para o orum. Tudo fazia parte do plano do supremo. Os homens e as mulheres então, passaram a dar muito mais valor às orientações dadas pelos seus próprios ancestrais, que eram feitas de forma direta e incisiva, o que representava uma segurança maior em relação, àquelas recebidas tanto no culto de Ifá , quanto dos Orixás , que dependiam da interpretação das mensagens transmitidas por meio dos búzios , opelê ou ikins, o que ensejava a possibilidade de erro ou manipulação por parte dos advinhos. O plano de Olorum estava sendo cumprido exatamente como havia sido elaborado. A terra era dos homens e das mulheres e deveria ser governada por eles. Os orixás haviam cumprido seus papeis com perfeição. Restava-lhes agora, retornar á sua origem o Orun, de onde deviam continuar a exercer controle sobre todos os elementos que lhes haviam sido confiados por Odudua. A raça humana, a essa altura, já se havia espalhado por toda a face da terra. Na medida em que se estabeleciam em diferentes territórios, adquiriam características diferentes pela influência do clima e dos novos hábitos alimentares e, depois de alguns milhares de anos, os homens que, na sua origem, possuíam todos a pele negra, foram mudando de cor. Aqueles que se estabeleceram em regiões demasiadamente frias, embranqueceram, seus olhos tornaram-se esverdeados ou azulados, seus cabelos ficaram lisos e adquiriram uma tonalidade amarelada. Outros, que se estabeleceram no Oriente, perdendo a cor original ficaram amarelos, seus olhos ficaram espremidos pelas próprias pálpebras, e seus cabelos, apesar de continuarem negros, ficaram lisos. Outros mais que, desafiando as águas do Oceano, atingiram as terras que ficavam além do reino de Olokum, passaram a prestar culto ao Deus - Sol, por isto suas pelos ficaram avermelhadas como casca do romã. Formaram agora quatro raças distintas; A negra, a branca, a amarela e a vermelha, e cada uma se achava superior as outras. Era costume, na época as incursões a territórios vizinhos com a intenção única de capturar escravos. Este costume, desenvolvido tanto pelos fons, quanto pelos nagôs, viria, muito mais tarde, a ser pago de uma forma muito trágica. Alguns grupos que embranqueceram molestaram grandes grupos de negros e demonizaram suas crenças nos Orixás. Tribos e mais tribos foram escravizas e levadas para países distantes. Longe de suas terras, de sua gente, de sua identidade de sua a dignidade. Muitos foram mortos por suas crenças e forma de ver o mundo; Outros para sobreviveram em muitos lugares, para cultuar seus orixás, tiveram que fingir que cultuavam deuses e santos de outras religiões. Autoria: Desconhecida.
Fonte: www.ciadejovensgriots.org.br
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